No Tabor da minha alma

Há ainda jovens hoje que Deus escolhe para os fazer subir ao Tabor, onde acontece a transfiguração. Deus se revela e te revela a sua missão no mundo.

Como no tempo de Jesus, existem ainda hoje jovens que, como aquele jovem rico, escolhem voltar tristes para a sua casa, porque não estão dispostos a deixar tudo o que conquistaram, tudo o que construíram, toda a sua formação, a sua família e o seu trabalho por amor a Cristo, renunciando, assim, uma vida feliz.

Deixamos o Eterno sem resposta, por causas das coisas terrenas que não dão respostas às inquietações da alma.

Sou uma jovem de 28 anos de idade, que escolheu deixar tudo para encontrar tudo. Tenho aprendido a estar mais perto da minha família por meio da oração, porque a oração alcança onde nós não podemos chegar.

A minha vocação, embora seja recente, é marcada por muitas dificuldades, como a resistência que eu tive de me desprender da minha vida, dos meus sonhos, da minha família, do meu trabalho e da minha formação que, só colocando-se nas mãos de Deus, se consegue ultrapassar.

A vocação exige, dia após dia, uma renúncia. No princípio da vocação, renunciar pode ser fácil, mas manter as renúncias com o passar do tempo, torna a vocação mais coerente e sólida, pois é preciso afirmar diariamente a vocação diante do nosso passado.

Para deixar tudo, para uma entrega total a Cristo pode parecer uma loucura. Muitas vezes o mundo chega a afirmar que seguir a vida Religiosa Contemplativa é fugir do mundo, é ser incapaz de cuidar de si próprio e de ver neste modo de viver um refúgio. Mas é preciso dizer que quem escolhe a vida contemplativa compreendeu que só Deus dá sentido à nossa vida.

É por amor a Cristo que hoje eu me encontro no Mosteiro Nossa Senhora da Eucaristia, para viver o chamamento de Deus, e conto com a Sua Misericórdia e a Sua graça. Por amor a Cristo, compreende-se que é no silêncio que começa a vida, e por este amor a Ele e à Igreja quero oferecer a minha vida em oração, contemplação e silêncio, a Deus e à Igreja, porque para Deus, nós devemos dar o melhor e, apesar de ser frágil e pecadora, o melhor que tenho a oferecer é a minha vida escondida com Cristo.

Se sentes que o Senhor te chama, não tenhas medo, vem. Vale antes obedecer a Deus que aos homens e como são Mateus “deixa tudo” e segue-O, como são Pedro “abandona as redes” e abraça a missão com amor. Ele está contigo, até ao fim dos tempos.

 

Angelina Sacuenhe, in Voz de Lamego, ano 96/26, n.º 4851, de 20 de maio de 2026

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