O povo gumuz vive no noroeste da Etiópia, na região do Metekel, e no Sudão. Foi muito marginalizado pelas tribos vizinhas das terras altas, mais claras, de quem foi escravo por muitos séculos até à década de 1930 para ser utilizado na mineração do ouro. A região de Benishangul-Gumuz é das mais remotas e esquecidas da Etiópia.
Os gumuz pertencem à família nilótica e vivem da agricultura de subsistência, da caça e comida que recolhem na floresta. Marginalizados e esquecidos, o acesso à saúde e educação é difícil.
A família comboniana chegou ao Metekel no ano 2000. Primeiro vieram as Irmãs Missionárias Combonianas e três anos depois os Missionários Combonianos. Responderam ao apelo que o presidente da região de Benishangul-Gumuz fez aos líderes religiosos para voltarem o coração para o povo e a terra «abandonada pelo tempo».
As missionárias fixaram-se em Mandura e os missionários em Gilgel Beles e Gublak. Mais tarde chegaram a Gilgel Beles as Franciscanas Missionárias de Cristo. Além da evangelização direta, estão comprometidos nas áreas da Justiça e Paz e resolução de conflitos, na promoção da mulher, na educação e saúde.
O acesso à escola é muito limitado devido às distâncias e à insegurança. Por isso, os alunos normalmente iniciam a escolarização por volta dos 12 anos.
Para facilitar o acesso à educação das crianças gumuz os missionários construíram algumas creches e um albergue para estudantes das zonas rurais para prosseguirem os estudos secundários.
Na creche de Gilgel Beles há 300 crianças a dar os primeiros passos na educação formal. Os missionários também dão bolsas de estudo aos estudantes mais promissores.
A cidade de Gilgel Beles, a capital de Metekel, é habitada por gente gumuz e não gumuz. Muitas vezes as relações entre os diversos grupos étnicos são tensas e violentas. Por isso, os pais gumuz às vezes preferem não enviar os filhos para a escola.
Os Combonianos decidiram construir uma escola em Gilgel Beles para promover da paz e a reconciliação entre cidadãos gumuz e não gumuz através do convívio entre alunos de tribos rivais. O governo local ofereceu o terreno.
Na primeira fase estamos a construir edifícios para 800 alunos da primeira à oitava classe. Na segunda fase, virá a escola secundária. Das instalações fazem parte salas de aulas, campos de jogos, casas de banho, secretaria, uma biblioteca e um laboratório e uma casa modesta para acolher voluntários que queiram colaborar na educação dos Gumuz, além de outros edifícios de apoio.
A província etíope dos Missionários Combonianos agradece a colaboração dos católicos da diocese de Lamego na construção deste projeto essencial para o povo gumuz através de parte da sua renúncia quaresmal.
P. Joaquim Moreira / P. José Vieira, Missionários Combonianos,
in Voz de Lamego, ano 96/14, n.º 4839, de 25 de fevereiro de 2026.



